O Chefe do Posto Administrativo de Katapua, no distrito de Chiúre, sul da província de Cabo Delgado, terá sido forçado a abandonar recentemente a sua área de trabalho e a refugiar-se na vila-sede distrital após alegadas ameaças de morte protagonizadas por membros do grupo local conhecido como “Namparamas”.
Segundo informações avançadas pela Rádio Zumbo FM Notícias, baseada em Pemba, citando uma fonte bem posicionada no posto administrativo que falou sob condição de anonimato, as ameaças surgiram na sequência da presença de membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) na região, onde se encontravam para garantir a proteção das comunidades face aos ataques terroristas que afectam a província.
De acordo com a mesma fonte, alguns elementos dos “Namparamas” acusaram o chefe do posto, Raimundo José Manuel, de ter solicitado a intervenção militar na localidade. No entanto, a fonte rejeita essa alegação, afirmando que as FDS estavam apenas a desempenhar as suas funções de segurança no terreno.
Ainda segundo a Zumbo FM Notícias, os “Namparamas” em Katapua manifestam oposição à presença das FDS e das autoridades governamentais locais, situação que tem contribuído para um clima de tensão na região.
A fonte acrescenta que os conflitos envolvendo o chefe do posto e o referido grupo não são recentes. Em dezembro de 2025, elementos associados aos “Namparamas” terão protagonizado atos de vandalismo que resultaram na destruição de bens públicos e privados. Entre os alvos estiveram a Secretaria Administrativa do Posto, a residência do chefe do posto, o comando local da Polícia da República de Moçambique (PRM), viaturas e casas de autoridades comunitárias.
E-global sabe que após a recusa de entradas FDS em Katapua pelos Namparamas, uma aldeia chamada Messanja, 4 quilómetros de Katapua-sede foi atacada no dia 17 de Maio e vários bens da população foram queimados.
Na tentativa de os Namparamas responder a invasão, os insurgentes contra atacaram e cerca de 40 Namparamas perderam a vida.
