O que parecia um ataque de homens armados desconhecidos, acabou no final da noite desta quinta-feira (3), de ser confirmado que foram mesmo insurgentes na zona tampão da Reserva Especial do Niassa, na coutada de Marrangira, distrito de Marrupa, província de Niassa.
De acordo com Mozambique Bio, uma página de Facebook dedicada a questões de conservação da fauna e flora, o ataque poderá ter provocado a destruição de um investimento avaliado em cerca de 3,5 milhões de dólares norte-americanos, realizado ao longo de mais de uma década pelo empresário e professor de origem portuguesa Carlos Queiroz.
Segundo uma fonte próxima do investidor, consultado por pelos gestores daquela página de Facebook, o acampamento ligado às actividades de turismo de natureza e conservação foi vandalizado, saqueado e posteriormente incendiado durante a incursão.
O empreendimento representava um investimento de longo prazo numa região com potencial para o turismo de natureza e para iniciativas de conservação da biodiversidade, numa área considerada estratégica para o desenvolvimento económico das comunidades locais.
A mesma fonte indicou que a dimensão dos prejuízos poderá ser elevada, tendo em conta os investimentos realizados ao longo de vários anos. No entanto, não há, até ao momento, comunicação regular com a zona afectada, o que dificulta a confirmação independente da extensão dos danos, dos bens alegadamente saqueados e de outras circunstâncias relacionadas com o ataque.
Também não foi possível apurar, de forma independente, se as comunidades residentes nas proximidades do acampamento foram directamente afectadas durante a incursão.
Uma fonte próxima de Carlos Queiroz que falou ao Mozambique Bio, descreveu o proprietário como “inconsolável” perante a destruição do empreendimento e os prejuízos decorrentes do ataque.
Este é mais um incidente que volta a evidenciar os impactos da insurgência sobre sectores como o turismo, a conservação da biodiversidade e o investimento privado nas zonas próximas das áreas de conservação do Niassa.
Há mais de um mês os insurgentes tinham sem sucesso tentado chegar a Niassa, mas a pronta intervenção das forças de defesa e segurança e fiscais locais retraiu aquele grupo que desta vez usou uma estratégia diferente para atacar a áreas próximas a Reserva Especial de Niassa.
