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Moçambique: Depois de Cabo Delgado Desinformação sobre encolhimento de órgãos genitais gera pânico e violência em Nampula

Depois de Cabo Delgado, a província de Nampula está a ser palco, nos últimos dias, de episódios de violência desencadeados por um fenómeno envolto em desinformação, conhecido popularmente como “não me toca”, uma crença de que um simples contacto físico pode provocar o encolhimento dos órgãos genitais masculinos.

Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), houve registo de morte de duas pessoas e detenção de mais de duas dezenas de indivíduos, por incitação a violência colectiva.

O chefe das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, os incidentes que resultaram ocorreram nos distritos de Eráti e Monapo, onde populares, movidos por suspeitas de feitiçaria, atacaram até a morte supostos responsáveis de encolhimento dos órgãos genitais.

De acordo com a polícia, as vítimas mortais foram brutalmente agredidas e tiveram os locais onde se encontravam incendiados, num cenário de justiça pelas próprias mãos.

Durante uma conferência de imprensa realizada na segunda-feira (27), o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, revelou que entre os dias 23 e 26 foram registados 16 casos ligados à propagação deste fenómeno e como consequência as autoridades detiveram 24 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e 40 anos, que alegam ter sido afetadas após contacto com desconhecidos, mas sem provas na cidade de Nampula e em distritos como Nacala, Meconta, Moma, Angoche, Namapa e Monapo.

Perante a imprensa, os detidos afirmaram terem passado situações de encolhimento dos órgãos genitais, alegando que apresentam problemas de tesão, versões que a PRM não confirma.

Na mesma conferência de imprensa, o Hospital Central de Nampula confirmou a recepção de oito pacientes associados a estes casos. O psicólogo clínico Ibraimo Colabo explicou que apenas dois apresentavam sinais compatíveis com síndromes psicogénicas, caracterizadas por pânico coletivo e crenças profundamente enraizadas.

Segundo o especialista, factores como stresse, trauma e ansiedade podem desencadear sintomas físicos reais, ainda que sem causa orgânica, afirmando que os exames médicos realizados aos pacientes não indicaram qualquer alteração física nos órgãos genitais, reforçando a hipótese de um fenómeno influenciado por fatores psicológicos e socioculturais.

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