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Moçambique: Falta de condições e acompanhamento familiar leva crianças e adultos moçambicanos ao Zimbabué para pedir esmola

A falta de condições de sobrevivência e alegada ausência de acompanhamento familiar está a levar crianças e adultos moçambicanos vulneráveis da província de Manica a atravessar irregularmente a fronteira para o Zimbabué, onde alguns recorrem à mendicidade e a actividades informais para garantir o seu sustento.

A mais recente situação ficou evidenciada esta sexta-feira (27), após as autoridades zimbabueanas deportarem através da fronteira de Machipanda em Manica para Moçambique 11 cidadãos nacionais, entre os quais oito crianças e três adultos. Dos três adultos, uma é mulher e dois são homens, mas estes homens possuem deficiência física e visual.

Segundo as autoridades zimbaueanas, todos os cidadãos se encontravam em situação irregular e foram encontrados em diferentes artérias da cidade de Mutare e da vila de Chipinge.

As mesmas denunciaram que alguns menores desenvolviam actividades informais nas ruas, enquanto outros viviam na rua por falta de abrigo. Houve crianças que trabalhavam para cidadãos zimbabueanos sem documentos que comprovassem a legalidade da sua permanência naquele país.

O porta-voz da Direcção Provincial de Migração em Manica, Abílio Mate, explicou que alguns cidadãos atravessaram a fronteira através de zonas localizadas nos distritos de Manica e Sussundenga.

“Constatámos que alguns vão para lá fazer negócio informal e praticar a mendicidade. Dois pais e encarregados de educação com deficiência física e visual preferiram levar os seus educandos para o Zimbabwe para lhes servirem de guias pela cidade, enquanto pediam esmola”, explicou.

Mate revelou o grande desafio é que, depois de serem deportados, os cidadãos são encaminhados às suas famílias, mas alguns acabam por regressar ao Zimbabué por considerarem que encontram melhores oportunidades para sobreviver.

“Quando são deportados, encaminhamo-los para as famílias, mas alguns regressam ao Zimbabwe porque pensam que é um lugar melhor para exercer essas actividades”, afirmou.

As autoridades defendem que o acompanhamento das famílias e a prevenção da circulação irregular de menores são fundamentais para evitar que crianças e adultos vulneráveis voltem a recorrer a actividades de sobrevivência nas ruas de países vizinhos.

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