A decisão de realizar, em Maputo, a primeira fase da formação dos 260 jovens selecionados para a Academia Mozambique LNG desencadeou uma forte reação do Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (FOCADE), que acusa a multinacional TotalEnergies e os seus parceiros de ignorarem a província onde o megaprojeto de gás está instalado.
Numa nota de repúdio divulgada esta sexta-feira (31), o FOCADE considera que a escolha do Instituto Industrial e Comercial da Matola para acolher a formação inicial representa uma contradição face ao compromisso público de promoção do conteúdo local e do desenvolvimento das comunidades anfitriãs.
A organização que representa as ONGs sustenta que Cabo Delgado reúne condições para receber uma iniciativa desta dimensão, dispondo de instituições de formação, infraestruturas e capacidade técnica que poderiam ser aproveitadas para preparar os futuros profissionais da indústria do gás natural liquefeito.
Para o FOCADE, a opção por Maputo priva a província de uma oportunidade estratégica para reforçar as suas instituições de ensino técnico, dinamizar a economia local e aproximar os jovens da realidade do projeto Mozambique LNG, localizado em Afungi, no distrito de Palma.
“O conteúdo local deve significar mais do que empregar cidadãos moçambicanos. Deve garantir que o conhecimento, a formação e os investimentos permaneçam nas comunidades que acolhem os grandes projetos”, defende o fórum no seu Comunicado.
A organização lembra que a TotalEnergies tem destacado, ao longo dos últimos anos, o seu investimento na formação de técnicos nacionais e no reforço das capacidades institucionais. No entanto, considera que esses esforços perdem impacto quando programas estruturantes continuam concentrados fora de Cabo Delgado.
O FOCADE entende que a província, que suporta os principais desafios associados ao projeto de gás, desde os impactos sociais e económicos até às consequências da insegurança, deve ser a primeira beneficiária das oportunidades de qualificação profissional geradas pelo investimento.
No documento, o fórum apela ao Governo e à TotalEnergies para que as próximas etapas da Academia Mozambique LNG sejam descentralizadas e passem a privilegiar Cabo Delgado como polo de formação técnica para o setor energético.
