Os insurgentes que actuam ao longo da costa norte e centro de Cabo Delgado raptaram um grande número de pescadores no distrito de Macomia, na noite da passada quinta-feira, 5 de Agosto.
Fontes relataram ao E-global que os pescadores foram surpreendidos enquanto pescavam. As suas cinco embarcações, com cerca de 100 pescadores a bordo, foram cercadas pelos terroristas, que os obrigaram a seguir as suas ordens.
As fontes realçaram ao E-global que, sem alternativas, os pescadores tiveram de seguir até à zona continental, nas proximidades da aldeia de Pequeué, no posto administrativo de Quiterajo, onde pernoitaram sob fortes medidas de segurança impostas pelos insurgentes.
Ao amanhecer, os terroristas seleccionaram dois a três marinheiros para regressarem a Pangane, localidade de onde as embarcações haviam partido, a fim de levarem produtos alimentares básicos. Em troca, os insurgentes prometeram libertar todos os reféns.
Contudo, apesar de os marinheiros terem regressado com os alimentos, conforme o combinado, todos os pescadores permaneceram retidos. Os insurgentes apresentaram uma nova exigência, afirmando que os reféns só seriam libertados após a libertação de outros dos seus colegas, que, nas semanas anteriores, teriam sido capturados durante operações das forças do Ruanda.
Entretanto, as mesmas fontes informaram que, graças a uma operação lançada pelas forças governamentais, com recurso a meios aéreos, na manhã deste sábado, pelo menos 11 pescadores conseguiram escapar e regressaram à aldeia de Pangane.
Segundo as fontes, espera-se que os restantes pescadores regressem brevemente, embora persistam dúvidas quanto à possibilidade de os terroristas alterarem a sua posição.
Refira-se que a zona norte da localidade costeira de Pangane não tem sido autorizada para a prática de actividades piscatórias por questões de segurança, contudo, a alegada escassez de pescado tem levado os pescadores a arriscar as suas vidas, sobretudo porque, nos últimos meses, a propaganda dos terroristas tem sustentado que estes já não podem matar civis, a menos que existam provas de colaboração com as Forças de Defesa e Segurança, consideradas pelo grupo como seu inimigo declarado.
