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Moçambique: Inteligência Artificial desafia instituições públicas a abandonar procedimentos burocráticos em Moçambique

A introdução da Inteligência Artificial (IA) na Administração Pública moçambicana coloca às instituições do Estado o desafio de rever os seus métodos de trabalho, reduzir a burocracia e adoptar modelos de gestão mais eficientes, centrados na satisfação das necessidades dos cidadãos.

O desafio foi lançado esta quinta-feira (29), em Maputo, pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, durante a abertura do workshop “AI for Governance”, que reúne profissionais da Administração Pública para reforçar conhecimentos sobre a aplicação prática da Inteligência Artificial na governação.

Na sua intervenção, Muchanga defendeu que a modernização do Estado não passa simplesmente pela aquisição de ferramentas tecnológicas, mas exige mudanças profundas nos procedimentos administrativos e na cultura institucional.

Para o governante, a utilização da IA deve permitir que os funcionários públicos executem tarefas com maior rapidez, analisem informação de forma mais eficiente e contribuam para decisões melhor fundamentadas, evitando que a inovação seja reduzida à substituição de métodos antigos por novas ferramentas.

Apesar das oportunidades, o ministro alertou que a utilização destas tecnologias exige mecanismos de controlo que garantam a protecção de dados pessoais, a confidencialidade da informação, a transparência e a prevenção de práticas discriminatórias.

Sublinhou ainda que a Inteligência Artificial deve funcionar como apoio aos profissionais, sem retirar aos funcionários públicos a responsabilidade pelas decisões administrativas que afectam a vida dos cidadãos.

No quadro da organização desta nova realidade tecnológica, Muchanga destacou a criação da Comissão Nacional de Inteligência Artificial, através do Decreto n.º 14/2026, de 17 de Abril, bem como a preparação da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, instrumentos destinados a orientar a adopção da tecnologia no país.

Por sua vez, a Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique, Abigail Dressel, partilhou a experiência norte-americana com a ferramenta State Chat, utilizada pelo Departamento de Estado para apoiar pesquisas, elaboração de textos e síntese de informação, com uma poupança média reportada de duas horas semanais por utilizador.

A diplomata considerou que experiências desta natureza demonstram o potencial da Inteligência Artificial para melhorar o desempenho das instituições, mas advertiu que os ganhos tecnológicos devem ser acompanhados pela verificação da informação, respeito pela privacidade e preservação do julgamento humano.

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