O Ministério da Educação e Cultura (MEC) garantiu que a realização da componente teórica do Programa Nacional de Formação Mozambique LNG no Instituto Industrial e Comercial da Matola, em Maputo não representa uma alteração da estratégia de desenvolvimento do ensino técnico-profissional em Cabo Delgado, província que acolhe a indústria do petróleo e gás.
O esclarecimento neste sentido foi feito através de um Comunicado divulgado, nesta terça-feira (4), na sequência das reacções à assinatura do Memorando de Entendimento entre o Governo e a TotalEnergies, que prevê a formação de 260 licenciados moçambicanos nas áreas de Mecânica, Electricidade, Instrumentação e Controlo e Operações de Processo.
Segundo o ministério, a escolha da Matola deve-se à capacidade instalada da instituição para receber imediatamente os formandos e cumprir o calendário de execução do projecto “A decisão de implementar a componente inicial da formação no Instituto Industrial e Comercial da Matola decorre de uma avaliação técnica das condições existentes nas instituições de ensino técnico e vocacional analisadas.”, esclarece o documento.
O Ministerio de Educação e Cultura explica que, concluída a fase teórica de um ano, os participantes seguirão para cerca de dois anos de formação prática nas instalações da TotalEnergies, em Afungi, na província de Cabo Delgado. Apesar da formação inicial decorrer na Matola, o Governo assegura que Cabo Delgado permanece no centro da estratégia nacional de qualificação para o sector do gás natural liquefeito.
“A realização da componente teórica da formação na Matola não altera o compromisso do Governo com o desenvolvimento das capacidades de formação em Cabo Delgado.”
De acordo com o comunicado, o ministério reconhece que a província de Cabo Delgado conta actualmente com 14 instituições de ensino técnico-profissional, das quais seis públicas, e beneficia de investimentos destinados ao reforço das infra-estruturas e dos equipamentos de formação. Entre os projectos em curso destacam-se a construção do Instituto Industrial e Comercial Filipe Jacinto Nyusi, em Namaua, a reabilitação do Instituto Industrial de Pemba e a criação de um laboratório especializado em Processamento de Gás, Automação, Instrumentação e Electricidade Industrial.
Contudo, o ministério da educação e cultura recorda que o Programa Mozambique LNG já permitiu formar 1.765 jovens moçambicanos em cursos técnicos, bolsas de estudo e estágios profissionais, através de um investimento da TotalEnergies superior a 191 milhões de meticais. Desse total, 1.154 frequentaram acções de formação no IFPELAC, em Pemba, e outros 390 no Instituto Industrial e Comercial de Pemba.
“Esta parceria não altera a prioridade que continua a ser atribuída ao desenvolvimento do ensino técnico profissional em Cabo Delgado. Pelo contrário, insere-se num esforço mais amplo de qualificação de jovens moçambicanos.”, assegura aquela instituição governamental.
O MEC acrescenta que os candidatos ao novo programa serão seleccionados em todas as províncias do país, incluindo Cabo Delgado, defendendo que a iniciativa pretende aumentar a participação de mão-de-obra nacional qualificada nos grandes projectos dos sectores dos recursos minerais e da energia, respondendo a dúvida de que supostamente havia sido excluída a província de Cabo Delgado para as 260 vagas.
E-global lembra que nas edições anteriores, publicou matérias em que organizações da sociedade civil e a Confederação das Associações Económicas de Cabo Delgado manifestaram repúdio a intenção pelo facto da província que acolhe o projecto de gás natural ser supostamente excluída da formação a realizar-se no instituto industrial da Matola em Maputo.
