O Instituto de Média na África Austral em Moçambique, MISA Moçambique alerta que a desinformação continua a representar um dos principais desafios para o espaço digital nacional, defendendo o reforço da literacia mediática e digital como uma das principais medidas para travar a propagação de conteúdos falsos.
Segundo o Relatório sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025, publicado esta semana (dia 1 de julho), a proliferação de notícias falsas intensificou-se no último ano, sobretudo na esfera política, com mais de 86 por cento dos casos analisados a corresponderem a informações totalmente falsas produzidas com o propósito de manipular a opinião pública.
O documento identifica o Facebook como a plataforma mais utilizada para divulgar conteúdos enganosos, através de páginas e perfis anónimos que imitam órgãos de comunicação social. Os grupos de WhatsApp também desempenham um papel importante na circulação rápida de mensagens, vídeos e ligações sem qualquer processo de verificação.
Por outro lado, o relatório assinala que o crescimento do acesso à internet e das redes sociais não foi acompanhado pelo aumento da literacia digital da população.
Actualmente, cerca de 7,12 milhões de moçambicanos têm acesso à internet e 4,10 milhões utilizam redes sociais, cenário que facilita a rápida disseminação de informações verdadeiras e falsas.
Em Moçambique, os actores da desinformação usam estratégias, como títulos sensacionalistas, imagens manipuladas, documentos falsificados, falsas citações e links fraudulentos, sendo vítimas mais frequentes são cidadãos com menor acesso à informação de qualidade, jovens desempregados e candidatos a programas de apoio financeiro.
