O aumento do volume de minerais extraídos em Montepuez na província de Cabo Delgado não está a traduzir-se no mesmo ritmo em rubis de elevada qualidade. A situação levou a Gemfields a rever em baixa o valor da sua participação na Montepuez Ruby Mining (MRM), reconhecendo uma imparidade de 125,2 milhões de dólares.
Segundo a Agência de Informação de Moçambique, a companhia britânica, accionista maioritária da operação, atribui a redução às novas estimativas sobre a recuperação de rubis de qualidade superior, justamente aqueles que alcançam os preços mais elevados nos mercados internacionais.
Na prática, de acordo com a AIM, o valor contabilístico da MRM passou de 205,5 milhões para 80,3 milhões de dólares, depois da actualização das perspectivas da actividade mineira.
O cenário surge numa altura em que a produção total da operação apresenta uma evolução positiva, tanto que foi anunciado que durante os primeiros seis meses do ano, a MRM produziu 2,16 milhões de quilates de rubis e corindo, representando um crescimento de 89% face ao período comparável.
O problema está na composição dessa produção. Os rubis considerados de alta qualidade diminuíram de 34.823 para 30.408 quilates, uma redução de 13%.
Para aumentar a capacidade da operação, a MRM está a finalizar uma nova unidade de processamento de minério, num projecto avaliado em 70 milhões de dólares.
Do montante previsto, 64,1 milhões de dólares já foram aplicados. A nova instalação deverá elevar a capacidade de processamento de 200 para 600 toneladas por hora.
A unidade encontra-se numa fase avançada de testes e, de acordo com a Gemfields, já conseguiu atingir a capacidade prevista em alguns períodos de funcionamento.
A expectativa é que o reforço da capacidade permita processar maiores quantidades de minério e, consequentemente, melhorar a produção. Contudo, a empresa terá de superar o desafio da recuperação de pedras de qualidade elevada para justificar plenamente o investimento.
A actividade mineira ilegal constitui outro dos principais problemas para a operação em Montepuez.
A concessão da MRM cobre cerca de 349 quilómetros quadrados e, segundo a Gemfields, registou mais de 60 mil incursões de mineiros ilegais entre Abril e Maio.
Em determinados dias, o número de entradas terá ultrapassads, provocando danos em infra-estruturas, equipamentos e sistemas de abastecimento de água.
A empresa diz que os incidentes também provocaram perdas operacionais e obrigaram ao reforço das medidas de segurança.
Apesar dos desafios, a Gemfields indica que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique continuam envolvidas na protecção da concessão. A companhia estima que as actividades insurgentes estejam actualmente a uma distância de aproximadamente 30 a 40 quilómetros da área operacional.
O desempenho dos rubis de alta qualidade e a conclusão da nova unidade de processamento deverão, assim, ser determinantes para o futuro económico da operação de Montepuez.
