Os incidentes de segurança nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula aumentaram 28% no terceiro trimestre de 2026, passando de 192 casos registados entre Janeiro e Março para 245 entre Julho e Setembro.
Os dados constam do relatório Instantâneo do Acesso Humanitário nas províncias do Norte do país, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), publicado a 21 de Outubro, com base em informações referentes ao período de Julho a Setembro deste ano.
Segundo o documento, quase quatro em cada cinco incidentes registados no terceiro trimestre envolveram violência contra civis, enquanto 379 pessoas foram dadas como sequestradas.
A actividade de grupos armados não estatais foi reportada em vários distritos de Cabo Delgado, incluindo Macomia, Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre, Montepuez, Muidumbe, Mocímboa da Praia e Nangade, apontando que em Setembro, a insegurança estendeu-se à província de Niassa, com um ataque reportado no distrito de Marrupa.
O relatório alerta ainda para raptos e pedidos de resgate que afectaram civis, transportadores, agricultores, mineiros e pescadores, sobretudo em Cabo Delgado. Entre os casos descritos estão raptos de crianças no distrito de Mocímboa da Praia, incluindo sete na aldeia de Chinde e cerca de dez em Quelimane, ambos reportados em Setembro.
Os incidentes nas estradas N380 e R698 também aumentaram os riscos para a circulação de pessoas e mercadorias.
A situação de segurança e as tensões comunitárias prejudicaram igualmente a assistência humanitária. Em Julho, disputas relacionadas com a selecção de beneficiários levaram ao saque de 86 kits de higiene nos distritos de Macomia e Ancuabe. Em Agosto, protestos no distrito de Memba, província de Nampula, contra alegado favoritismo na distribuição de ajuda resultaram em danos a materiais humanitários e no apedrejamento de uma viatura de uma organização não-governamental.
OCHA refere ana sura publicação a suspensão temporária de actividades de várias organizações em Mocímboa da Praia, Quissanga e Nangade.
As operações de assistência enfrentaram também obstáculos administrativos e logísticos, incluindo atrasos na emissão de credenciais, restrições à circulação rodoviária e dificuldades no acesso aéreo. O encerramento do aeródromo de Mocímboa da Praia, em 21 de Agosto, obrigou os parceiros humanitários a utilizar Palma e Mueda como alternativas, aumentando o tempo e os custos das deslocações.
A suspensão dos voos da UNHAS para Ibo manteve-se durante todo o trimestre, devido às condições inadequadas da pista.
O relatório do OCHA adverte que as más condições das estradas e a aproximação da época chuvosa podem agravar o isolamento de comunidades remotas, dificultando o acesso à assistência. Em algumas zonas costeiras, as restrições à pesca e os deslocamentos de curta duração também afectaram os meios de subsistência das populações.
O documento igualmente os desafios persistentes para garantir a protecção dos civis e a continuidade das operações humanitárias no norte de Moçambique.
