Além das dificuldades relacionadas com a documentação, muitos refugiados, requerentes de asilo e imigrantes que vivem em Moçambique enfrentam profundas consequências emocionais e psicológicas decorrentes das experiências de deslocação forçada em seus países sobretudo na regiões africana dos grandes lagos.
Esta realidade foi destacada numa pesquisa apresentada a recentemente na Universidade Católica de Moçambique (UCM), em Pemba, pela Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados (CEMIRDE).
O estudo revelou que um número significativo de refugiados carrega traumas associados a conflitos armados, perseguições, violência, separação familiar e às difíceis condições enfrentadas durante as rotas migratórias, experiências que afectam não apenas o bem-estar emocional dos indivíduos, mas também a sua capacidade de integração social e económica nas comunidades de acolhimento.
Segundo o Coordenador de Projectos da CEMIRDE, Juvêncio Matsinhe, apesar de muitos refugiados se sentirem bem recebidos pela população moçambicana, persistem desafios que exigem uma resposta mais abrangente, incluindo apoio psicossocial especializado.
O estudo concluiu ainda que a recuperação emocional é um elemento fundamental para uma integração sustentável e para a reconstrução dos projetos de vida destas populações.
A investigação, realizada entre 2024 e 2025 nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Tete, Gaza e na cidade de Maputo, abrangendo refugiados RDC, Burundi, Costa de Marfim, Ruanda, Mali e Nigéria de identificou igualmente que os obstáculos burocráticos relacionados com a obtenção e renovação de documentos agravam situações de vulnerabilidade, aumentando sentimentos de insegurança, incerteza e exclusão.
Perante este cenário, a CEMIRDE defende o reforço de programas de assistência psicossocial, acompanhamento jurídico e apoio comunitário, como forma de promover a inclusão e melhorar a qualidade de vida dos refugiados e requerentes de asilo em Moçambique que igualmente agradecem o bom acolhimento pela populações locais.
