O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, afirmou recentemente que o Governo de Moçambique e os seus parceiros internacionais devem assumir os custos da presença militar ruandesa na província de Cabo Delgado no âmbito do combate ao terrorismo no norte do país.
Em entrevista à revista francesa Jeune Afrique, Kagame revelou que cerca de cinco mil soldados ruandeses estão destacados na missão de Cabo Delgado, sublinhando que “nada é de graça” no que diz respeito aos serviços de segurança prestados.
Segundo o estadista, os cerca de 20 milhões de dólares disponibilizados pela União Europeia não são suficientes para cobrir os custos da operação.
Kagame indicou que o Governo ruandês gasta entre quatro a cinco vezes esse valor, o que poderá atingir aproximadamente 100 milhões de dólares para manter as tropas no terreno.
O Presidente ruandês destacou ainda que o financiamento internacional não constitui um benefício para o Ruanda, mas sim um apoio indireto ao Governo moçambicano. Nesse contexto, defendeu que tanto o Estado moçambicano como empresas envolvidas na exploração de recursos naturais, como a TotalEnergies e a ExxonMobil, devem contribuir para os custos da operação militar.
Kagame advertiu que, caso não haja um acordo claro sobre o financiamento, o Ruanda poderá reconsiderar a sua presença militar em Cabo Delgado “se não querem pagar pelos serviços de segurança, podemos retirar as nossas tropas”, afirmou.
A intervenção ruandesa tem sido considerada crucial no apoio às forças moçambicanas no combate aos grupos armados que actuam na região, contribuindo para a estabilização de algumas áreas anteriormente afetadas pela violência.
Em Moçambique ainda não se conhece alguma declaração pública do governo em torno deste assunto que tem alimentado debates, as as autoridades sempre destacaram a importância militar do Ruanda.
Inicialmente, o então chefe do Estado Felipe Nhusy afirmou que a presença dos ruandeses em Cabo Delgado não tinha contrapartida financeira para Moçambique e nunca ficou claro que a estadia dos homens do Kagame fosse esforço da União Europeia.
