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Amnistia Internacional cria Cadeira da Liberdade para celebrar 25 deAbril

Eleutéria 25 é uma cadeira que foi feita “para cair” e é uma resposta simbólica à crescente vaga de autoritarismo no mundo;

Peça estará exposta no ponto da Amnistia Internacional no desfile do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, em Lisboa;

Cadeira da Liberdade evoca a queda de Salazar em 1968 e recorda que o poder não deve ser permanente quando os direitos humanos, a liberdade e a democracia não são respeitados.

Quando passam 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa, a Amnistia Internacional (AI) – Portugal criou a “Eleutéria 25 – A Cadeira da Liberdade”, uma resposta simbólica à crescente vaga de autoritarismo no mundo. Concebida em parceria com o designer Nuno Lacerda, a Eleutéria 25 é uma “cadeira feita para cair e que vem recordar que ninguém que desrespeite os direitos humanos, a liberdade e a democracia se deve eternizar nos cargos de poder”, revela o diretor executivo da AI Portugal, João Godinho Martins.

A peça – que estará exposta no ponto da Amnistia Internacional no desfile do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, em Lisboa – evoca um episódio marcante da história portuguesa: “em 1968, António de Oliveira Salazar caiu, alegadamente de uma cadeira, dando início ao fim da sua liderança e antecedendo a queda da ditadura em 25 de Abril de 1974”.

“Num tempo em que se normaliza o discurso de ódio e a polarização da sociedade e em que as violações dos direitos humanos estão num crescendo, o papel dos jornalistas é fundamental para garantir a proteção desses direitos. A Eleutéria 25 é um sinal de vigilância e de esperança porque celebrar a liberdade é também defendê-la”, sublinha João Godinho Martins.

Porquê a Cadeira da Liberdade?
Há quedas que são libertações. A Eleutéria 25 nasce como uma resposta simbólica a uma vaga crescente de autoritarismo no mundo. “A peça é um exercício de desequilíbrio calculado, sendo que a sua instabilidade estrutural evoca o acidente que marcou o início do fim da liderança de Salazar e antecedeu a queda da ditadura, a 25 de Abril de 1974”, desvenda o diretor executivo da AI Portugal.

“Num momento em que os valores democráticos e a liberdade enfrentam novos desafios, esta cadeira funciona como um lembrete para um princípio essencial da democracia: o poder não deve ser permanente nem absoluto, especialmente quando os direitos humanos, a liberdade e a democracia não são respeitados”, aponta João Godinho Martins.

A Cadeira da Liberdade foi batizada de Eleutéria, palavra de origem grega que significa liberdade, evocando também o lugar onde nasceu a ideia de democracia.

Cada etapa da sua conceção foi pensada para construir uma estrutura instável, que nega o conforto e a permanência, traduzindo em forma e movimento o gesto político que está na sua génese: lembrar que, quando não se respeitam os direitos humanos, a liberdade e a democracia, o poder não é lugar para permanecer por muito tempo.

A Amnistia Internacional e a Liberdade
A Amnistia Internacional foi fundada há 65 anos para defender os direitos humanos. Há fontes que referem que a sua criação terá sido inspirada em dois estudantes portugueses que ousaram brindar à Liberdade durante a ditadura salazarista.

“Hoje, 52 anos depois do 25 de Abril, continuamos a sair à rua. Num mundo onde manifestantes pacíficos enfrentam crescentes retrocessos e restrições, acreditamos que é urgente continuar a proteger a liberdade, os direitos humanos e os valores democráticos, também em Portugal”, conclui João Godinho Martins.

Amnistia Internacional

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