O Banco de Portugal reviu em baixa as previsões de crescimento da economia portuguesa para 2026, apontando agora para uma expansão de 1,8%, segundo o Boletim Económico divulgado esta quarta-feira. A instituição antecipa ainda um crescimento de 1,6% em 2027 e de 1,8% em 2028, num contexto marcado por elevada incerteza internacional.
A revisão em baixa para este ano, de 0,5 pontos percentuais, resulta sobretudo da deterioração do enquadramento externo, nomeadamente devido ao conflito no Médio Oriente, que tem pressionado os preços da energia e agravado as condições de financiamento. Também os eventos climáticos extremos no início do ano e o desempenho mais fraco da economia no final de 2025 contribuíram para este ajustamento.
Apesar deste cenário adverso, o banco central destaca a resiliência do mercado de trabalho e o impacto positivo da execução do Plano de Recuperação e Resiliência, bem como de uma política orçamental expansionista. A procura interna deverá manter-se como o principal motor do crescimento, com Portugal a crescer acima da média da área do euro, ainda que com um diferencial mais reduzido.
No que diz respeito à inflação, prevê-se uma subida para 2,8% em 2026, impulsionada por fatores externos, seguindo-se uma descida gradual até 2% em 2028. O Banco de Portugal alerta, contudo, para riscos elevados, incluindo a possibilidade de agravamento do conflito internacional e desafios internos como a execução dos fundos europeus, sublinhando a importância de manter a sustentabilidade das finanças públicas e reforçar o investimento e a qualificação da população.
