O Governo português afirmou estar a acompanhar “com grande preocupação” a crise migratória que se agravou em Ceuta, território espanhol no norte de África, onde milhares de pessoas tentaram entrar nos últimos dias, provocando uma situação de emergência humanitária e de pressão sobre as autoridades locais.
Lisboa lamentou igualmente as vítimas mortais registadas durante as tentativas de travessia e reiterou o apoio à cooperação europeia no controlo das fronteiras externas.
Segundo as autoridades espanholas, a cidade autónoma de Ceuta enfrentou uma chegada excepcional de migrantes provenientes de Marrocos, através de travessias marítimas e terrestres, num número superior a 40 mil migrantes em menos de 24 horas. A situação levou Espanha a reforçar a presença policial e militar no território, enquanto os centros de acolhimento ficaram sob forte pressão devido ao elevado número de pessoas chegadas, incluindo menores e famílias.
A crise provocou também um aumento das preocupações humanitárias, depois de várias pessoas terem morrido durante as tentativas de atravessar a fronteira. As autoridades espanholas responsabilizaram redes de tráfico de seres humanos por incentivarem migrantes a realizar travessias perigosas.
No comunicado, o Governo português destacou que tem mantido contactos permanentes com os Executivos de Espanha e Marrocos, sublinhando que as autoridades nacionais, nomeadamente a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia Marítima, estão articuladas com as congéneres espanholas. Lisboa defendeu que a integridade do espaço Schengen depende de um controlo rigoroso das fronteiras externas e de um combate determinado às redes de imigração ilegal.
