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Portugal: Construção recupera da crise e ultrapassa 43 mil milhões de euros em negócios, mas perde peso na economia

O sector da construção em Portugal recuperou significativamente da crise financeira, tendo mais do que duplicado o volume de negócios desde 2016. No segundo trimestre de 2026, a actividade atingiu 43,5 mil milhões de euros, embora o seu peso na economia nacional continue abaixo dos níveis registados há duas décadas, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal.

A recuperação foi transversal aos vários segmentos de actividade, com destaque para a construção de edifícios, e acompanhada pelo aumento do número de empresas, que ultrapassou os níveis anteriores à crise. Actualmente, existem cerca de 64 mil empresas de construção no país, mantendo-se a predominância das microempresas. O emprego também cresceu, superando os valores de há 20 anos, com mais de 427 mil pessoas ao serviço no segundo trimestre de 2026.

Uma das principais mudanças ocorreu na composição da mão-de-obra. A proporção de trabalhadores de naturalidade estrangeira passou de 15%, em 2010, para 38% no segundo trimestre deste ano, ultrapassando o peso observado no conjunto das empresas não financeiras. Apesar da evolução positiva das remunerações, o salário médio mensal no sector fixou-se em 1.380 euros, abaixo dos 1.527 euros registados na generalidade das empresas não financeiras.

A situação financeira das empresas também melhorou. Em 2025, a rendibilidade do activo atingiu 10% e a dos capitais próprios 13%, os valores mais elevados da série analisada, enquanto a autonomia financeira chegou aos 39%. O rácio de crédito vencido, que tinha atingido 32% em 2015 e 2016, caiu para 2% no segundo trimestre de 2026. Ainda assim, quase uma em cada cinco empresas de construção apresentava capitais próprios negativos em 2025, revelando que persistem fragilidades no sector.

Apesar da recuperação, a construção perdeu importância relativa no tecido empresarial e na economia portuguesa. O peso do volume de negócios do sector em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu de 18%, em 2006, para 14% no segundo trimestre de 2026. A tendência de perda de peso também se verificou na maioria das regiões do país, tanto no volume de negócios como no emprego, embora com diferenças regionais. O Banco de Portugal assinala, assim, que o sector recuperou em dimensão e actividade, mas ainda não recuperou a relevância económica que tinha antes das crises financeira e da dívida soberana.

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