O crédito à habitação em Portugal atingiu um nível recorde, com empréstimos a somar 112,4 mil milhões de euros no final de fevereiro, refletindo um crescimento anual de 10,4%, o maior desde 2006, segundo o Banco de Portugal. O aumento é impulsionado por juros historicamente baixos nos últimos anos e linhas de garantia pública, mas o cenário mudou com a subida da Euribor após os ataques ao Irão.
A prestação das casas começa a subir já em abril para algumas famílias. Em contratos recentes, com valores médios cerca de 120% acima da dívida média existente, a subida de 1% da taxa pode representar mais de 450 euros por mês. Nuno Rico, da DECO PROteste, alerta que o momento de atuar “é já”, sugerindo a renegociação para taxas fixas ou mistas de curto prazo para proteger o orçamento familiar.
Embora o BCE mantenha a taxa de referência nos 2%, o prolongamento do conflito no Médio Oriente pode forçar um aumento, pressionando ainda mais as famílias endividadas. Comparando com 2022, quando a guerra na Ucrânia fez disparar as prestações em 80% num ano, o especialista considera que o impacto depende da duração da atual crise e da inflação energética.
Em resumo, apesar de a situação ainda não ser tão grave quanto em 2022, o crescimento do crédito e o aumento das taxas tornam urgente que os portugueses revisem os seus contratos de habitação para evitar surpresas nos próximos meses.
