As principais associações empresariais em Portugal contestam a proposta da União Europeia de impor pelo menos um dia semanal de teletrabalho como resposta à crise energética. Embora reconheçam que o trabalho remoto pode ajudar a reduzir custos com combustíveis e consumo de energia, defendem que a sua aplicação deve resultar de acordo entre empresas e trabalhadores — e não de uma imposição legal.
A iniciativa, apoiada pelo comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen, surge no âmbito de um conjunto de medidas para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e aliviar a pressão sobre as famílias. Entre as soluções em estudo estão também incentivos ao uso de transportes públicos.
Ainda assim, organizações como a CIP e a AEP consideram que a obrigatoriedade seria desproporcional e pouco adaptada à realidade de muitos setores, sobretudo aqueles onde o trabalho presencial é indispensável. Para os representantes empresariais, a flexibilidade deve ser a regra, permitindo que cada empresa adote o modelo mais adequado à sua atividade.
Apesar da rejeição à imposição, o teletrabalho continua a ganhar espaço em Portugal, impulsionado pelo aumento dos preços da energia e do custo de vida. Muitas empresas já estão a rever práticas internas, adotando soluções híbridas de forma pragmática, mas mantendo o princípio de negociação entre empregadores e trabalhadores.
