Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) destaca Portugal como um dos casos de sucesso na análise da participação europeia nas cadeias de valor globais. A publicação examina a integração das economias da União Europeia, recorrendo a modelos de aprendizagem automática e a estudos de caso nacionais, com especial enfoque em Portugal e na Bélgica, sublinhando que as conclusões refletem apenas a opinião dos autores.
Segundo o documento, a integração da União Europeia nas cadeias de valor globais é profunda, mas desigual entre os Estados-membros. A produtividade do trabalho, os custos laborais e a qualidade do capital humano surgem como fatores determinantes para uma maior participação, apoiados por elementos como infraestruturas, base industrial, governação e maturidade digital. O FMI alerta, contudo, que esta integração, apesar de associada a ganhos de produtividade e modernização tecnológica, também expõe as economias a riscos como disrupções nas cadeias de abastecimento e tensões geopolíticas.
No caso português, o estudo refere que as exportações estão fortemente concentradas na indústria transformadora e nos serviços empresariais, tendo a União Europeia como principal destino, representando cerca de metade do total exportado. Apesar disso, a intensidade tecnológica das exportações nacionais permanece abaixo da média europeia, com predominância de produtos de baixa e média-baixa tecnologia e uma contribuição ainda limitada dos sectores de alta tecnologia.
A análise conclui que a participação nas cadeias de valor globais pode reforçar a produtividade, a diversificação económica e a difusão do conhecimento. As diferenças entre países, exemplificadas pelos casos de Portugal e da Bélgica, refletem posições distintas ao longo das cadeias de valor e diferentes níveis de exposição aos riscos e oportunidades da integração económica global.
