O preço das habitações em Portugal continua a escalar, atingindo no primeiro trimestre de 2025 o crescimento homólogo mais expressivo desde 2019. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor mediano por metro quadrado dos 40.163 alojamentos familiares transacionados foi de 1.951 euros — um aumento de 18,7% face ao mesmo período de 2024 e de 4,3% em relação ao último trimestre do ano passado.
O número de transações também cresceu: foram mais 24,9% do que no primeiro trimestre do ano anterior. Das 26 sub-regiões NUTS III, apenas uma não registou crescimento. As maiores subidas ocorreram no Ave, Alto Minho, Baixo Alentejo, Algarve e Alto Alentejo, todas com aumentos acima dos 30%.
As zonas mais caras mantêm-se: Grande Lisboa (3.183€/m²), Algarve (2.929€/m²) e Madeira (2.518€/m²), seguidas da Península de Setúbal e da Área Metropolitana do Porto. A Madeira destacou-se ainda com a maior subida homóloga de preços: 23,1%.
De acordo com a Confidencial Imobiliário, 92% dos concelhos portugueses registaram valorizações anuais superiores às do trimestre anterior. Em dois terços dos municípios, as subidas superaram os 15% — o dobro face ao final de 2024. O concelho de Faro liderou entre as capitais de distrito, com uma valorização anual de 22,9%, seguido por cidades do interior como Beja, Santarém e Castelo Branco, com crescimentos entre 15% e 24%.
Lisboa e Porto também aceleraram, com subidas de 8,6% e 10,7%, respetivamente. Na região de Lisboa, Mafra registou a maior valorização, com +22,1%.
Apesar do forte ritmo de valorização, há sinais de possível desaceleração. O Índice de Preços Residenciais indica uma travagem no crescimento mensal: 2,7% em março, 1,4% em abril e apenas 0,2% em maio. Simultaneamente, a oferta de habitação para venda caiu 3% no primeiro trimestre, mantendo uma tendência de quebra já verificada nos dois trimestres anteriores.
