Os preços dos combustíveis deverão sofrer um novo agravamento em 2026 devido à combinação de dois fatores: a subida da taxa de carbono e a reversão gradual dos descontos aplicados ao Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP), em vigor desde 2022.
Atualmente, a taxa de carbono representa um custo de 15,3 cêntimos por litro na gasolina e 16,6 cêntimos no gasóleo. Mas, com o preço das licenças de emissão de CO2 a rondar os 75,87 euros por tonelada (acima dos 67,39 euros fixados para 2025), os custos podem aumentar para 17,2 e 18,7 cêntimos, respetivamente. Isto traduz-se num acréscimo estimado de 2,4 cêntimos por litro na gasolina e 2,6 cêntimos no gasóleo.
O Governo admite não ter margem para repetir a estratégia usada em 2024, quando neutralizou o impacto do ISP com uma descida da taxa de carbono. Agora, o Executivo defende que os ajustes têm de ser feitos de forma faseada, para evitar aumentos imediatos superiores a 10% nos preços de venda ao público.
A Comissão Europeia pressiona Lisboa para pôr fim ao apoio que tem permitido conter os preços.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, já confirmou que “o benefício tem de acabar”, mas sublinha que a transição será gradual.
O Governo garante que continuará a acompanhar de perto os movimentos do mercado, de forma a mitigar impactos nas famílias e empresas, embora os especialistas alertem que o gasóleo — o combustível mais usado em Portugal — será o mais penalizado.
