A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou esta quinta-feira, 3 de setembro, que Timor-Leste eliminou o tracoma como problema de saúde pública. A decisão representa um importante marco para o país e significa também que a doença deixou de constituir um problema de saúde pública em qualquer país da Região do Sudeste Asiático da OMS onde existia suspeita de transmissão endémica.
O tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira no mundo e é provocado pela bactéria Chlamydia trachomatis. A doença transmite-se através do contacto com secreções oculares e nasais de pessoas infetadas e, quando existem infeções repetidas, pode provocar cicatrizes na parte interna da pálpebra. Os cílios podem então voltar-se para dentro e lesionar a córnea, podendo causar perda permanente da visão. A doença está particularmente associada a comunidades com dificuldades no acesso a água potável, saneamento, higiene e cuidados de saúde.
A validação da OMS resultou de um processo de vários anos conduzido pelo Ministério da Saúde timorense, com apoio da organização e de parceiros internacionais. Entre 2015 e 2017 foram realizadas investigações em crianças na ilha de Atauro, rastreios em clínicas oftalmológicas e buscas domiciliárias dirigidas, sem que fossem identificados casos de tracoma. Em 2025, um novo levantamento analisou 4.949 amostras de crianças entre um e cinco anos, abrangendo os 13 municípios do país, não tendo encontrado evidências de transmissão num nível que justificasse uma intervenção específica de saúde pública.
Com esta validação, Timor-Leste tornou-se o quarto país da Região do Sudeste Asiático da OMS e o 33.º país do mundo a alcançar este marco. A organização sublinha, contudo, que a eliminação como problema de saúde pública não significa o desaparecimento absoluto da doença. O país continuará a manter mecanismos de vigilância e capacidade para identificar e tratar casos individuais, incluindo cirurgia para a triquíase, através dos serviços de saúde ocular existentes no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, e noutros municípios.
A OMS considera que a conquista demonstra a importância da liderança nacional, da vigilância integrada e da cooperação entre profissionais de saúde, comunidades e parceiros internacionais. A eliminação do tracoma em Timor-Leste contribui ainda para a meta global de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, no âmbito dos esforços internacionais para combater as doenças tropicais negligenciadas e reduzir as desigualdades no acesso a cuidados básicos de saúde.
