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África enfrenta impactos mais graves da perda de biodiversidade, alerta ONU

A perda de biodiversidade está a afetar de forma particularmente intensa as populações africanas, onde milhões de pessoas dependem diretamente dos recursos naturais para alimentação, rendimento e acesso à água. O alerta foi deixado pela Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), durante um fórum científico realizado em Nairobi, no Quénia, que destacou a necessidade urgente de aumentar os esforços globais para proteger os ecossistemas.

Segundo a CDB, a África concentra cerca de 25% da biodiversidade mundial, mas já perdeu aproximadamente 24% das suas espécies desde o período pré-industrial. A crise não se manifesta apenas através da redução de espécies animais e vegetais, mas também no desaparecimento de recursos essenciais para as comunidades, como solos agrícolas produtivos, peixe nas zonas costeiras e fontes de água limpa.

A ONU alerta ainda que o mundo continua a gastar muito mais recursos financeiros em atividades que degradam a natureza do que em iniciativas de proteção ambiental. Segundo dados apresentados pelas Nações Unidas, os investimentos destinados a destruir a biodiversidade são cerca de 30 vezes superiores aos valores aplicados na sua conservação, dificultando os esforços dos países em desenvolvimento para responder à crise.

Apesar dos desafios, os responsáveis internacionais apontam sinais de esperança antes da próxima Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), marcada para outubro na Arménia. As negociações em curso procuram integrar a proteção da biodiversidade nas políticas nacionais, mobilizar financiamento e acelerar a implementação do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, criado para travar a perda de espécies e promover uma relação mais equilibrada entre humanidade e natureza.

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