A Comissão da Bacia do Lago Chade, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Parceria Global para a Água na África Central lançaram um projecto de cinco anos destinado a melhorar a prevenção e a gestão de inundações e secas em Camarões, Níger, Nigéria, Chade e República Centro-Africana. A iniciativa pretende reforçar os sistemas de alerta precoce e permitir que as comunidades em risco recebam avisos com maior antecedência. Os fenómenos climáticos extremos ameaçam os meios de subsistência de mais de 50 milhões de pessoas que vivem na região.
Financiado pelo Fundo de Adaptação, com uma verba de 11,66 milhões de dólares, o projecto surge num contexto de crescente vulnerabilidade climática. Entre 1970 e 2020, a bacia foi atingida por mais de 48 episódios de inundações e secas, que afectaram mais de 31 milhões de pessoas, provocaram quase quatro mil mortos e destruíram culturas agrícolas e efectivos pecuários. As previsões apontam para o aumento da frequência e intensidade destes fenómenos, enquanto a população da região deverá duplicar nos próximos 30 anos.
A iniciativa prevê a recuperação e instalação de estações meteorológicas e de monitorização dos rios, o reforço das redes de observação e a criação de serviços de previsão de cheias e secas. Está igualmente prevista a implementação de um mecanismo transfronteiriço de alerta precoce, bem como acções de sensibilização e formação para melhorar a capacidade de resposta das autoridades e das comunidades. A redução das redes de monitorização desde a década de 1980 tem limitado o acesso a informação fiável e atempada para antecipar situações de emergência.
Estima-se que 22,5 milhões de pessoas com acesso à rádio ou a telemóveis beneficiem directamente da melhoria dos alertas. O projecto dará particular atenção às mulheres, aos jovens, agricultores, pastores e pescadores, cujas actividades dependem dos recursos hídricos. A recepção antecipada de avisos poderá permitir, por exemplo, deslocar o gado, antecipar colheitas, adaptar as culturas agrícolas ou ajustar as actividades piscatórias. Em cada país serão também desenvolvidos planos locais de emergência, com a participação de grupos vulneráveis e das lideranças comunitárias.
O lançamento oficial decorre em N’Djamena, no Chade, durante um encontro regional de dois dias, a 28 e 29 de Outubro de 2026. As delegações dos cinco países participantes deverão definir o plano de acção para o primeiro ano e os mecanismos de governação do projecto. O ministro chadiano dos Recursos Hídricos e da Energia, Passale Kanabe Marcelin, destacou a importância da iniciativa como expressão da solidariedade entre os países da bacia perante os desafios das alterações climáticas.
