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Banco Africano de Desenvolvimento e PNUD mobilizam 10 mil milhões de dólares para impulsionar a inteligência artificial em África

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estão a intensificar a cooperação para implementar a iniciativa «AI 10 Billion», que pretende mobilizar mil milhões de dólares por ano, durante uma década, para acelerar a adopção da inteligência artificial (IA) em África. Segundo os promotores, o programa poderá contribuir para a criação de 25 milhões de postos de trabalho até 2035, através do aumento da produtividade e do investimento em tecnologias digitais.

A iniciativa foi lançada em Fevereiro de 2026, durante o Fórum de Inteligência Artificial de Nairobi, e reúne o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, o PNUD e parceiros do sector privado. O processo de implementação ganhou novo impulso após uma visita de uma delegação do PNUD à sede do BAD, em Abidjan, na Costa do Marfim, em Outubro. A missão foi liderada por Keyzom Ngodup Massally, directora do Centro de IA para o Desenvolvimento Sustentável, em conjunto com a plataforma PISTA, dedicada ao investimento e à assistência técnica.

Um relatório do BAD, publicado em 2025 e intitulado Ganhos de Produtividade da IA em África, estima que uma adopção inclusiva da inteligência artificial poderá acrescentar até um bilião de dólares ao produto interno bruto (PIB) africano até 2035. Cerca de 58% desse potencial estará concentrado em cinco sectores: agricultura, comércio grossista e retalhista, indústria transformadora, serviços financeiros e saúde. A aposta surge num contexto em que mais de 300 milhões de jovens africanos deverão entrar na idade activa durante a próxima década, aumentando a necessidade de criar oportunidades económicas e empregos qualificados.

Segundo Solomon Quaynor, vice-presidente do BAD para o Sector Privado, Infra-estruturas e Industrialização, a iniciativa pretende mobilizar financiamento público e privado para transformar o potencial da IA em competitividade, emprego e crescimento inclusivo. A instituição contribuirá com financiamento, dados e relações com os seus 54 países-membros regionais, enquanto o PNUD disponibilizará a sua presença nos países e conhecimentos técnicos sobre inteligência artificial e desenvolvimento sustentável.

A implementação decorrerá em três fases: identificação das oportunidades de produtividade em cada país, preparação de projectos públicos e privados para financiamento e criação de plataformas de investimento que aproximem governos, investidores e comunidades económicas regionais. O BAD e o PNUD começarão por trabalhar com cinco países, com o objectivo de alargar a iniciativa a 20 até ao final de 2027. Os dois organismos apelam à participação de governos, instituições financeiras de desenvolvimento, investidores privados e entidades filantrópicas para ajudar a financiar as infra-estruturas, os dados e as competências necessárias à expansão da inteligência artificial no continente.

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