A chegada de quase 4 mil pessoas que fugiram dos confrontos no Iémen, atravessando o mar Vermelho, está a sobrecarregar os recursos da cidade costeira de Obock, no norte do Djibuti. O alerta foi lançado a 14 de outubro pelas Nações Unidas, que apelam à comunidade internacional para reforçar o apoio humanitário a uma região já afetada pela seca, pela escassez de água e pela insegurança alimentar.
Segundo José Barahona, coordenador residente da ONU no Djibuti, a maioria dos recém-chegados fugiu dos bombardeamentos que atingiram localidades iemenitas, nomeadamente nas proximidades do porto de Mokha, na costa ocidental do país. Mais de metade dos refugiados são crianças, enquanto a maioria dos restantes são mulheres. As autoridades locais e as Nações Unidas têm prestado assistência às pessoas que chegaram a diferentes pontos da costa ou foram encontradas no deserto, encaminhando-as para Obock.
A situação agrava as dificuldades de uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, onde aproximadamente um quarto da população enfrenta insegurança alimentar aguda e o acesso à água e aos alimentos já é limitado. O país, situado no Corno de África, recebe anualmente entre 250 mil e 300 mil migrantes, sobretudo provenientes das zonas rurais da Etiópia, que procuram atravessar o Iémen para chegar à Arábia Saudita e a outros países do Golfo. Com o agravamento do conflito, muitos ficam retidos no Djibuti, em condições precárias e com poucos recursos. A falta de chuvas durante a curta estação chuvosa veio intensificar a vulnerabilidade das comunidades locais.
Os riscos da rota migratória continuam elevados. Um recente naufrágio de uma embarcação sobrelotada, que transportava mais de 300 pessoas, provocou pelo menos 139 mortos cujos corpos foram encontrados, enquanto outras 84 pessoas permaneciam desaparecidas. A tragédia poderá ter causado mais de 200 vítimas mortais, segundo os dados divulgados pelas Nações Unidas. A combinação do conflito no Iémen, da chegada de refugiados, dos migrantes retidos e da seca levou José Barahona a descrever a situação no norte do Djibuti como uma «tempestade perfeita».
Para responder à emergência, a Organização Internacional para as Migrações distribui 1500 refeições quentes, duas vezes por dia, aos recém-chegados. O Programa Alimentar Mundial presta assistência alimentar, a UNICEF apoia os sistemas de abastecimento de água e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados ajuda a registar as pessoas provenientes do Iémen. Contudo, dos sete milhões de dólares necessários para responder às necessidades desta nova crise, apenas 2,8 milhões estavam confirmados.
O Djibuti acolhe já cerca de 35 mil refugiados de países vizinhos, e a ONU considera que o país não dispõe de capacidade para suportar indefinidamente esta pressão sem maior apoio internacional
