Pela primeira vez em meses, não são bombas que caem do céu sobre o estado do Alto Nilo, no nordeste do Sudão do Sul, mas pacotes de alimentos. O Programa Alimentar Mundial (PAM) iniciou uma operação de lançamento aéreo de emergência para apoiar mais de 40 mil pessoas ameaçadas pela fome numa região devastada pela violência desde março.
De acordo com o PAM, quase oito milhões de sul-sudaneses — mais de metade da população — enfrentam insegurança alimentar aguda. A situação é particularmente crítica no Alto Nilo, onde mais de um milhão de pessoas sofrem de fome, incluindo 32 mil em risco de inanição. O conflito entre forças do governo e a milícia “Exército Branco” tem levado a deslocações em massa e agravado a crise humanitária.
A agência da ONU pretende ajudar 470 mil pessoas até agosto, durante a chamada “época da escassez”, que precede as colheitas. Contudo, os confrontos e a insegurança nas estradas dificultam as entregas terrestres, levando à utilização de aviões para lançar cerca de 700 toneladas de alimentos nas áreas mais isoladas. Outras 1.500 toneladas aguardam transporte por via fluvial, dependente da reabertura de corredores humanitários.
O PAM alerta que, sem financiamento adicional, não conseguirá evitar uma catástrofe. A agência solicita 274 milhões de dólares até dezembro para manter as suas operações. Devido à quebra no apoio internacional, apenas 2,5 milhões dos mais vulneráveis estão a receber assistência, um número muito abaixo das necessidades urgentes do país.
