A situação no Sudão foi descrita como um “laboratório de atrocidades” pelo responsável máximo da ajuda humanitária das Nações Unidas, Tom Fletcher, durante uma conferência internacional realizada em Berlim. O encontro reuniu ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países e teve como objetivo reforçar o apoio internacional perante o agravamento da crise no país.
Na conferência, copresidida pela Alemanha, União Africana, União Europeia, França e Reino Unido, foram anunciadas promessas de financiamento que ultrapassam 1 mil milhão de dólares para ajuda humanitária no Sudão.
O país entra no seu quarto ano de guerra, num conflito entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), considerado pelas Nações Unidas como a pior crise humanitária e de deslocação populacional do mundo.
Segundo dados apresentados pela ONU, cerca de 34 milhões de pessoas — dois terços da população sudanesa — necessitam de assistência humanitária. Além disso, aproximadamente 14 milhões de pessoas foram deslocadas, 19 milhões enfrentam insegurança alimentar e cerca de 10 milhões de crianças estão fora da escola.
Tom Fletcher denunciou também o impacto direto da violência sobre civis e trabalhadores humanitários, referindo que centenas de pessoas foram mortas por ataques com drones e que dezenas de profissionais de ajuda humanitária perderam a vida nos últimos anos. O responsável alertou ainda para o uso da fome, violência sexual e ataques a hospitais e escolas como métodos de guerra.
