A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, manifestou apoio à deportação de ativistas, advogados e defensores dos direitos humanos do Quénia e do Uganda, alegando que estes estão a interferir em assuntos internos do país. A declaração foi feita em um discurso público transmitido pela imprensa.
Samia Hassan justificou que essa interferência pode gerar instabilidade no país, que realizará eleições gerais em outubro deste ano.
A presidente também ordenou o bloqueio da rede social X (antigo Twitter) após a conta oficial da polícia tanzaniana ter sido invadida e usada para divulgar uma falsa informação sobre a sua morte.
Segundo a imprensa local e internacional, destacados activistas do Quénia, como Martha Karua, ex-ministra da Justiça, e Willy Mutunga, ex-presidente do Tribunal Supremo, foram detidos e deportados para o seu país.
Também foram detidos em Dar es Salaam o advogado ugandês Agather Atuhaire e o ativista queniano Boniface Mwangi.
A Ordem dos Advogados da Tanzânia confirmou que ambos foram deportados após a detenção.
A Tanzânia tem vivido um clima de tensão desde a detenção de Tundu Lissu, líder do CHADEMA, o principal partido da oposição, ocorrida em abril deste ano.
O político deveria comparecer à primeira audiência judicial nesta segunda-feira (19), num caso em que é acusado de traição. Foi esse o motivo que mobilizou ativistas, advogados e defensores dos direitos humanos a se dirigirem à capital tanzaniana. O julgamento foi adiado para junho.
