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Canadá e Austrália vão desenvolver radar militar no Ártico

O Canadá e a Austrália vão colaborar na construção de um novo sistema de radar militar de longo alcance no Ártico, anunciou o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
A decisão surge num momento de crescente interesse global na região e de preocupações sobre segurança internacional.

Segundo Carney, o projeto representa um investimento superior a 6 mil milhões de dólares e permitirá ao Canadá detetar e responder a ameaças aéreas e marítimas no Ártico com maior rapidez e eficácia.
O sistema será compatível com o NORAD, a aliança de defesa entre os EUA e o Canadá.

O primeiro-ministro sublinhou que o Canadá precisa de reforçar as suas parcerias estratégicas, garantindo que a defesa nacional não pode depender exclusivamente de aliados.

Além do radar, o governo canadiano investirá 420 milhões de dólares para ampliar a sua presença permanente no Ártico e reforçar a soberania aérea, marítima e terrestre.

Carney alertou ainda para a crescente ousadia dos adversários do Canadá e para a erosão das instituições internacionais que garantiram a estabilidade do país.
Acrescentou, também, que as prioridades dos Estados Unidos, tradicionalmente alinhadas com as do Canadá, estão a mudar.

O Ártico é uma região estratégica disputada por oito países: Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia e Estados Unidos.
A competição tem-se intensificado, especialmente entre potências como a Rússia e a China, que têm coordenado atividades militares na região.

Nos últimos anos, forças norte-americanas e canadianas intercetaram bombardeiros russos e chineses perto do Alasca, e as marinhas de Moscovo e Pequim realizaram operações conjuntas ao largo da costa do Alasca.
Paralelamente, a Dinamarca anunciou um reforço de 2,05 mil milhões de dólares para as suas capacidades militares no Ártico, face ao crescente interesse dos EUA no controlo da Gronelândia.

A relação entre Canadá e Estados Unidos atravessa um dos momentos mais tensos dos últimos anos, com divergências sobre a soberania da Passagem do Noroeste, que o Canadá considera território nacional, enquanto Washington defende ser uma rota internacional.

Apesar das divergências, os dois países continuam a cooperar na área da segurança.

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