Dois especialistas norte-americanos alertam para os riscos que a redução de dados sobre o clima representa para a saúde pública. Num artigo publicado na revista PLOS Climate, Jeremy Jacobs, da Universidade de Vanderbilt, e Shazia Khan, da Faculdade de Medicina de Yale, chamam a atenção para a destruição de infraestruturas de monitorização ambiental e para o impacto disso na preparação e resposta a eventos climáticos extremos.
Ondas de calor, inundações, incêndios florestais e furacões estão associados a problemas como doenças respiratórias e cardíacas, surtos infecciosos, lesões traumáticas e agravamento da saúde mental. Contudo, os sistemas de saúde enfrentam dificuldades crescentes em antecipar estes riscos, devido à eliminação de ferramentas federais e estaduais de recolha e análise de dados climáticos.
Os autores destacam o desmantelamento, nos Estados Unidos, de sistemas essenciais durante a administração Trump, como a base de dados de desastres da NOAA, a vigilância do índice de calor, os dados da qualidade do ar e o financiamento do Instituto Nacional de Saúde para investigação sobre mortalidade relacionada com calor extremo e fumo de incêndios.
Jacobs e Khan defendem que esta lacuna ameaça a saúde das populações mais vulneráveis – como crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas – e pode ter repercussões a nível internacional.
Os especialistas apelam à comunidade científica, a editores de revistas e a agências de financiamento para que defendam a recolha de dados, promovam a transparência e resistam à pressão política para censurar a linguagem científica.
