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EUA: São Francisco enfrenta crise de pobreza e droga no meio da prosperidade tecnológica

A cidade de São Francisco, símbolo da inovação tecnológica e da riqueza gerada por empresas do Vale do Silício, vive uma grave crise social marcada pela pobreza, sem-abrigo e consumo generalizado de drogas. A epidemia de fentanil transformou o centro urbano num dos locais com mais overdoses dos Estados Unidos — quase o triplo da média nacional.

Em bairros como Tenderloin, as ruas estão repletas de tendas e centros de reabilitação, contrastando com os arranha-céus e os carros autónomos que simbolizam o poder económico da cidade. O custo médio das rendas ultrapassa os 3.000 dólares (2.560 euros) por mês, tornando a habitação inacessível para grande parte da população.

Figuras como Elon Musk e Donald Trump criticaram a gestão local, com Musk a transferir a sede da plataforma X para Austin e Trump a prometer enviar a Guarda Nacional para “limpar” a cidade.

Organizações locais alertam que a desigualdade crescente e políticas excessivamente centradas na “redução de danos” perpetuam o problema. Para Cedrick Akhbar, da associação Positive Directions Equals Change, “as medidas atuais mantêm as pessoas dependentes, em vez de oferecerem verdadeiras soluções”.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, enviou a Guarda Nacional em 2023 para combater o tráfico de fentanil, e o novo presidente da câmara, Daniel Laurie, prometeu endurecer as políticas públicas. Ainda assim, muitos duvidam de mudanças rápidas.

Entre a prosperidade tecnológica e a exclusão social, São Francisco continua dividida — um retrato extremo das contradições do sonho americano.

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