Quatro dos cinco partidos eleitos para o parlamento da Gronelândia chegaram na quinta-feira a um acordo para formar uma coligação governativa alargada, num momento marcado por pressões renovadas da administração norte-americana para obter controlo sobre o território autónomo dinamarquês.
A coligação, que deverá ser formalizada esta sexta-feira, assegura 23 dos 31 lugares na legislatura.
A decisão surge na véspera da visita do vice-presidente dos EUA, JD Vance, à ilha ártica.
Acompanhado pela esposa, Usha Vance, o vice-presidente visitará a base norte-americana de Pituffik, utilizada para operações de defesa e vigilância no Ártico.
A deslocação de Vance foi criticada pelo primeiro-ministro da Gronelândia, Múte Bourup Egede, que classificou a visita como “agressiva” e um sinal de mudança na relação bilateral com os Estados Unidos. Egede afirmou que a nova liderança norte-americana demonstra “indiferença” face à cooperação anterior, acusando Washington de tentar tomar controlo do território “à revelia” da sua população.
A reconfiguração política interna foi impulsionada por Jens-Frederik Nielsen, líder do partido Demokraatit, vencedor das eleições de 11 de março. Nielsen tem defendido uma coligação ampla como resposta à crescente pressão geopolítica dos EUA sobre a Gronelândia.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, tem intensificado declarações e iniciativas sugerindo o interesse em anexar a Gronelândia, dada a sua importância estratégica e riqueza em recursos minerais.
O território, situado entre a América do Norte e o Ártico, é cobiçado também pela Rússia e China, que disputam uma influência crescente na região.
O Presidente russo, Vladimir Putin, reagiu às intenções de Trump afirmando que o interesse dos EUA na Gronelândia não é novo e remonta ao século XIX.
Recordou que, após a Segunda Guerra Mundial, os EUA chegaram a propor à Dinamarca a compra da ilha. Putin alertou que Moscovo está atenta ao aumento da presença da NATO no Ártico e que reforçará as suas capacidades militares na região em resposta a possíveis ameaças.
A crescente importância estratégica da Gronelândia, no contexto da disputa por rotas marítimas, acesso a recursos naturais e posicionamento militar no Ártico, coloca o território no centro das tensões entre grandes potências, obrigando a ilha a reforçar a sua unidade política e a sua autonomia.
