O ouro segue para o quarto mês consecutivo de queda, mesmo com a inflação norte-americana a atingir o nível mais alto dos últimos três anos. A situação contraria a ideia tradicional de que o metal precioso é sempre uma proteção eficaz contra a subida dos preços.
A principal razão está nas taxas de juro. Como o ouro não gera rendimentos, torna-se menos atrativo quando obrigações e outros ativos financeiros oferecem retornos mais elevados. Com os bancos centrais a manterem uma política monetária restritiva para combater a inflação, muitos investidores têm preferido alternativas com maior rentabilidade.
Nos Estados Unidos, a expectativa de novas subidas das taxas pela Reserva Federal reforçou esta tendência. Ao mesmo tempo, os lucros das empresas continuam a crescer e a economia mantém-se relativamente sólida, reduzindo a procura por ativos considerados refúgio.
Vários bancos de investimento já reduziram as previsões para o preço do ouro, apontando a política monetária mais agressiva como o principal fator de pressão sobre as cotações.
Especialistas lembram que o ouro tende a valorizar-se mais quando a inflação é elevada e os bancos centrais mantêm juros baixos. No atual contexto de taxas elevadas e rendibilidades atrativas noutros mercados, o metal enfrenta maiores dificuldades para recuperar.
A evolução recente mostra que a inflação, por si só, não garante a valorização do ouro, sendo as taxas de juro e as condições económicas fatores igualmente determinantes.
