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América Latina quer transformar potencial agroalimentar em mais investimento no meio rural

A América Latina e as Caraíbas, uma das principais regiões produtoras de alimentos do mundo, procuram aumentar o investimento nos seus sistemas agroalimentares e facilitar o acesso ao financiamento por parte dos produtores. Cerca de 70% das pessoas que produzem alimentos na região enfrentam actualmente obstáculos no acesso ao financiamento formal, enquanto 32 milhões de pessoas continuam a sofrer de fome.

A questão esteve em destaque num encontro realizado em Santiago do Chile, nos dias 18 e 19 de Agosto, que reuniu cerca de 70 representantes de governos, bancos de desenvolvimento, instituições financeiras, organizações internacionais, empresas e representantes da agricultura familiar. Promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o encontro procurou definir formas de mobilizar investimentos de maior escala para os territórios rurais.

Entre as principais propostas está a passagem de uma lógica baseada em projectos isolados para a criação de carteiras territoriais de investimento, ligando a produção agrícola às cadeias de valor, infra-estruturas, conectividade, assistência técnica e mercados. Os participantes defenderam também instrumentos financeiros adaptados às características e aos riscos de cada região, em vez de soluções uniformes.

Os pequenos e médios agricultores familiares ocupam um lugar central nesta estratégia, que prevê combinar financiamento com formação, assistência técnica, gestão de riscos e acesso aos mercados. A agenda pretende ainda reforçar a cooperação entre governos, bancos de desenvolvimento, cooperativas, empresas, investidores, universidades e organizações locais.

As alterações climáticas foram outro dos temas centrais, com a defesa de mais investimento em práticas agrícolas sustentáveis, recuperação de ecossistemas, infra-estruturas resilientes, gestão da água e seguros agrícolas. A FAO afirma gerir actualmente mais de mil milhões de dólares através de mais de 400 projectos em 32 países da América Latina e das Caraíbas, procurando utilizar essa presença para aproximar os recursos financeiros das necessidades dos territórios rurais.

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