A Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (CEPAL) alerta que um episódio extremo do fenómeno climático El Niño poderá provocar perdas económicas equivalentes a, pelo menos, 2% do Produto Interno Bruto (PIB) regional, ao longo de três anos. Segundo as estimativas divulgadas a 16 de Outubro de 2026, os impactos poderão levar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza até ao final da década, num cenário em que o fenómeno não ocorresse.
De acordo com o relatório, cerca de metade das perdas económicas poderá concentrar-se no primeiro ano do episódio climático, com consequências prolongadas para os rendimentos das famílias e a actividade produtiva. A CEPAL prevê ainda pressões inflacionistas e um agravamento das vulnerabilidades nos sectores agrícola, das pescas e da energia, com efeitos desiguais entre os países da região.
A agricultura encontra-se entre as actividades mais expostas, devido ao risco de secas e à redução da disponibilidade de água, factores que ameaçam as culturas de subsistência e os rendimentos das comunidades rurais. No sector das pescas, as alterações nas temperaturas oceânicas poderão modificar as cadeias alimentares e deslocar espécies importantes para a actividade pesqueira. A produção de electricidade também poderá ser afectada, sobretudo nos países muito dependentes da energia hidroeléctrica.
As previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam para uma probabilidade superior a 90% de o El Niño atingir uma intensidade muito forte durante o Outono e o Inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte. O relatório refere ainda uma probabilidade de 69% de ocorrência de um episódio classificado como «Super El Niño». Estas projecções estão sujeitas a incerteza e poderão ser revistas à medida que forem disponibilizados novos dados meteorológicos.
Perante os riscos, o secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, defende que a prevenção é menos dispendiosa do que a resposta a situações de emergência. A organização recomenda que os governos integrem os riscos climáticos nas políticas públicas, protejam infra-estruturas essenciais e os meios de subsistência das populações e reforcem a coordenação regional. O objectivo é limitar os prejuízos económicos e impedir que os impactos climáticos se transformem em crises sociais prolongadas.
