Duas semanas após os dois fortes sismos que atingiram o centro-norte da Venezuela, as Nações Unidas alertam que a solidariedade internacional terá de ser acompanhada por um compromisso financeiro sustentado para evitar uma crise humanitária prolongada. O coordenador da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, apelou à mobilização da comunidade internacional durante uma reunião realizada em Caracas com representantes do Governo venezuelano, países parceiros e organizações internacionais.
De acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas, os sismos de 24 de junho provocaram mais de 3.500 mortos e 16.740 feridos, tendo ainda sido resgatadas com vida mais de 6.400 pessoas. Com o fim progressivo das operações de busca e salvamento, a prioridade passa agora pela assistência às centenas de milhares de sobreviventes e pela reconstrução das zonas afetadas, especialmente no estado costeiro de La Guaira e na região de Caracas.
Cerca de 200 organizações humanitárias, agências da ONU e parceiros internacionais estão envolvidos na resposta à emergência. A Organização Pan-Americana da Saúde assegura cuidados médicos, o ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações distribuem abrigos de emergência, a UNICEF apoia as crianças afetadas, o Programa Alimentar Mundial fornece alimentos e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento coordena os trabalhos de remoção de escombros e as primeiras avaliações para a reconstrução.
A ONU estima que serão necessários 296 milhões de dólares nos próximos seis meses para apoiar 1,3 milhões de pessoas afetadas pela catástrofe. A organização defende ainda a manutenção do financiamento internacional, o reforço dos serviços essenciais de saúde, alimentação e educação, bem como medidas que facilitem a recuperação económica do país, sublinhando que a reconstrução será determinante para evitar o agravamento de uma crise humanitária que já afetava milhões de venezuelanos antes do desastre.
