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ONU reforça ajuda humanitária à Venezuela após sismos que provocaram quase dois mil mortos

As agências das Nações Unidas intensificaram a resposta humanitária na Venezuela, depois dos fortes sismos registados na semana passada, que já causaram 1.943 mortos, mais de 10.500 feridos e obrigaram cerca de 15.800 pessoas a abandonar as suas casas. Esta terça-feira chegou ao país um carregamento de 47 toneladas de ajuda de emergência do UNICEF, destinado a apoiar crianças e famílias afetadas pela catástrofe.

Os materiais, enviados a partir de uma reserva humanitária da União Europeia em Copenhaga, incluem equipamentos médicos, sistemas de purificação e armazenamento de água, tendas para espaços seguros destinados a crianças, cadeiras de rodas e materiais de apoio ao desenvolvimento infantil. Em conjunto com um carregamento enviado anteriormente a partir do Panamá, os fornecimentos deverão permitir assistir mais de 100 mil crianças e familiares durante os próximos três meses. Segundo o UNICEF, cerca de 680 mil crianças necessitam atualmente de assistência humanitária nas zonas atingidas.

Entretanto, a resposta internacional continua a mobilizar dezenas de equipas de busca e salvamento, enquanto a Agência das Nações Unidas para os Refugiados alerta para o agravamento das condições de vida nos abrigos temporários. Muitas famílias permanecem em tendas, escolas, igrejas e outros espaços improvisados, sem acesso adequado a água, saneamento e comunicações. A situação das crianças separadas das famílias é apontada como uma das maiores preocupações, tendo sido lançada uma campanha para identificar menores desacompanhados e promover o reencontro familiar.

A Organização Pan-Americana da Saúde advertiu ainda que os hospitais das regiões mais afetadas estão sob forte pressão, devido aos danos nas infraestruturas e ao elevado número de feridos. A interrupção dos serviços de água e saneamento, associada às deslocações da população, aumenta o risco de surtos de doenças como sarampo, difteria, tosse convulsa, dengue, chikungunya, zika e malária. Perante este cenário, as Nações Unidas apelam ao reforço do financiamento internacional para responder às necessidades humanitárias e sanitárias geradas pelos sismos.

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