Foto: Governo de Portugal
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, recebeu esta terça-feira, 22 de abril, na residência oficial em São Bento, em Lisboa, a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, num encontro centrado na situação política na Venezuela, com foco na realização de eleições livres e na transição democrática, bem como na situação da comunidade portuguesa e lusovenezuelana residente no país.
No final da reunião, Luís Montenegro sublinhou que “o futuro para a Venezuela deve passar por uma solução democrática e livre”, defendendo a realização de eleições “absolutamente livres” como condição essencial para qualquer transição política credível.
O chefe do governo destacou também que Portugal acompanha com especial atenção a situação venezuelana, nomeadamente devido à significativa comunidade portuguesa e luso-venezuelana residente no país.
Segundo dados do governo português, cerca de 220 mil pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, um número que não inclui luso-descendentes, pelo que as autoridades admitem que a comunidade seja bastante superior, dado que o registo consular não é obrigatório.
Montenegro saudou ainda a recente libertação do cidadão lusovenezuelano Héctor Ferreira Domingues e defendeu que o processo político em curso deve ser acompanhado de novas libertações e do regresso de cidadãos exilados, reforçando os históricos laços entre Portugal e a Venezuela e manifestando esperança num desfecho de paz, liberdade e prosperidade para o país sul-americano.
Do lado da oposição venezuelana, María Corina Machado deixou uma mensagem política centrada na defesa da soberania popular e no papel da comunidade internacional, afirmando que espera que “Portugal esteja do lado das pessoas, do lado dos cidadãos, do lado da verdade e do exercício da soberania popular”.
Machado afirmou também que continuam a existir casos de detenção com ligação a Portugal, referindo que “ainda há três presos políticos portugueses na Venezuela”, o que implica a necessidade de atenção internacional a estas situações.
Machado sustentou ainda que a oposição venezuelana vê sinais de avanço no processo político, apesar de décadas de conflito interno: “Sabemos que o presidente Donald Trump é o único chefe de Estado que colocou em risco a vida de alguns dos seus cidadãos para avançar na liberdade da Venezuela. E estamos a avançar”, sublinhou.
Reconhecendo o peso histórico da crise, a laureada com o Prémio Nobel da Paz em 2025 acrescentou que “cada dia que passa é demasiado tempo, mas são 27 anos de sofrimento, perseguição e de construção de uma estrutura criminosa que tem vindo a ser desmantelada”.
A visita de María Corina Machado a Lisboa foi acompanhada por dezenas de cidadãos venezuelanos residentes em Portugal, que se concentraram junto a São Bento numa manifestação espontânea de apoio à líder da oposição venezuelana, com bandeiras e mensagens de solidariedade.
Ígor Lopes
