O projeto Rotas de Integração Sul-Americana, coordenado pelo Ministério do Planeamento e Orçamento, foi destacado esta semana na COP 30, em Belém (PA), como um exemplo de integração regional que alia expansão de infraestrutura e preservação ambiental. A iniciativa, concebida em 2023 por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prioriza a sustentabilidade desde a sua origem, com foco em soluções multimodais — como hidrovias, ferrovias e integração energética e digital — que reduzem impactos ambientais.
Composta por cinco rotas de integração, três delas atravessando a Amazônia, a proposta busca encurtar distâncias e facilitar o transporte de mercadorias entre o Brasil, os países vizinhos e a Ásia. As rotas incluem ligações com Venezuela, Guiana, Suriname, Colômbia, Peru, Equador, Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai, combinando diferentes meios de transporte.
A execução do programa envolve uma forte articulação entre ministérios, reforçada pela criação, em 2024, de uma comissão interministerial dedicada à integração física e digital da América do Sul. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, assim como o de Ciência, Tecnologia e Inovação, desempenham papel central na incorporação de dados ambientais, monitoramento por satélite e análise de riscos climáticos.
Na COP 30, o governo brasileiro também apresentou o Observatório de Infraestrutura da América do Sul, que permitirá planeamento conjunto com países vizinhos, considerando biomas compartilhados e obras conectadas.
Embora algumas entregas já tenham sido concluídas — como a Rota Multimodal Amazônica — o programa tem caráter contínuo, com metas previstas para 2026, 2030 e além. O conceito de infraestrutura resiliente orienta os 190 projetos em andamento no Brasil, garantindo que as obras resistam a eventos climáticos extremos, mudanças de percurso e riscos futuros. O objetivo é assegurar que a integração continental avance de forma sustentável e duradoura.
