As operações de busca e salvamento continuam a ser a principal prioridade na Venezuela, cinco dias após os dois fortes sismos que atingiram o país a 24 de junho. De acordo com números oficiais, o desastre já provocou pelo menos 1.430 mortos e mais de 3.200 feridos, enquanto milhares de pessoas permanecem desaparecidas sob os escombros ou desalojadas. Equipas de emergência de 27 países, compostas por cerca de 2.200 operacionais e 140 cães de busca, estão a apoiar as autoridades venezuelanas nas zonas mais afetadas. A situação é particularmente crítica no estado de La Guaira, onde continuam as operações de resgate.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) está a coordenar a resposta internacional, enquanto o Programa Alimentar Mundial (PAM) já posicionou mais de três mil toneladas de alimentos no país, suficientes para apoiar mais de 10 mil famílias durante dois meses. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que cerca de 1,8 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, entre as quais 680 mil crianças.
Além da emergência humanitária, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alerta para o elevado impacto económico da catástrofe. Uma avaliação preliminar aponta para perdas diretas de cerca de 6,7 mil milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto da Venezuela. O organismo considera, contudo, que os custos totais, incluindo a reconstrução e os prejuízos indiretos, poderão atingir os 20 mil milhões de dólares.
As Nações Unidas sublinham que a resposta à tragédia exigirá um esforço prolongado da comunidade internacional. Enquanto prosseguem as buscas por sobreviventes, as agências humanitárias reforçam o apoio às famílias afetadas, assegurando alimentação, abrigo, cuidados de saúde, água potável e proteção às populações mais vulneráveis, numa das maiores operações de emergência atualmente em curso na América Latina.
