Cinco anos após o regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão, mulheres e meninas continuam a enfrentar restrições sistemáticas aos seus direitos. Segundo agências das Nações Unidas, mais de 100 decretos limitaram o acesso à educação, ao trabalho, à saúde, à justiça e à liberdade de circulação.
A ONU Mulheres considera que o Afeganistão atravessa a crise de direitos das mulheres mais grave do mundo. As restrições à circulação são particularmente severas: metade das mulheres entrevistadas afirma sair de casa apenas uma ou duas vezes por mês, enquanto aumenta o número das que dizem sentir-se inseguras quando não estão acompanhadas por um homem.
A educação continua entre as áreas mais afectadas. Estima-se que 2,4 milhões de meninas estejam excluídas do ensino secundário. A UNESCO sublinha que o Afeganistão é actualmente o único país do mundo onde o acesso à educação está formalmente proibido para meninas e mulheres para além do ensino primário, alertando para consequências duradouras na pobreza e no desenvolvimento do país.
As restrições têm também contribuído para uma crise de saúde mental e para o aumento de riscos associados ao casamento infantil, à violência de género e à mortalidade materna. A exclusão das mulheres do emprego e da vida pública agrava ainda a sua dependência económica e reduz o acesso a mecanismos de protecção contra a violência.
A situação é agravada pelos cortes no financiamento humanitário. Segundo a ONU Mulheres, quase três quartos das organizações lideradas por mulheres inquiridas no Afeganistão sofreram reduções de financiamento em 2025. As Nações Unidas alertam que a diminuição da ajuda pode levar ao encerramento de serviços essenciais, numa altura em que cerca de 14 milhões de afegãos enfrentam uma situação de fome.
