O Programa Mundial de Alimentos (PMA/WFP) alertou que o Afeganistão enfrenta uma das mais graves crises de desnutrição infantil dos últimos anos, com cerca de 3,7 milhões de crianças a sofrerem de desnutrição aguda e 1,2 milhões de mulheres grávidas e lactantes também afetadas. Segundo a agência das Nações Unidas, o agravamento da insegurança alimentar poderá ultrapassar todas as previsões, colocando milhares de vidas em risco.
De acordo com o diretor do WFP no Afeganistão, John Ayliffe, a desnutrição infantil já atingiu níveis críticos em 12 das 34 províncias do país, representando quase um terço do território nacional. A organização estima que a situação continue a deteriorar-se até outubro, numa altura em que cerca de 14 milhões de afegãos enfrentam níveis elevados de fome aguda. Os centros de saúde registam igualmente um aumento acentuado de crianças com menos de dois anos em estado de desnutrição severa, muitas delas a chegar demasiado tarde para um tratamento eficaz.
As Nações Unidas atribuem o agravamento da crise à combinação de vários fatores, incluindo anos de conflito, o regresso de milhares de refugiados afegãos, o aumento dos preços dos alimentos, o desemprego e os cortes no financiamento humanitário. A crise no Médio Oriente e o encerramento da fronteira com o Paquistão agravaram ainda mais a situação, ao dificultarem o abastecimento de alimentos e medicamentos e deixarem cerca de um milhão de mães e crianças sem acesso a serviços essenciais de nutrição.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) alertou também que as restrições impostas às mulheres e raparigas continuam a comprometer a recuperação do país. As limitações no acesso à educação, ao emprego e aos cuidados de saúde têm impactos diretos no bem-estar das famílias e das comunidades, dificultando os esforços para combater a crise humanitária.
