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Banco Mundial alerta que Sul da Ásia tem menos de uma década para aproveitar o dividendo demográfico

O Sul da Ásia dispõe de uma janela de oportunidade inferior a uma década para transformar o crescimento da população em idade activa em desenvolvimento económico, antes de começar a enfrentar uma redução dessa força de trabalho e um envelhecimento acelerado da população. O alerta consta de um relatório do Banco Mundial, divulgado esta terça-feira, em Daca, no Bangladesh, que recomenda a criação de mais e melhores empregos e o reforço dos sistemas de protecção social.

Intitulado «Mudanças Demográficas no Sul da Ásia: De factores favoráveis a obstáculos para o desenvolvimento», o estudo revela que a região conta actualmente com 1,17 mil milhões de pessoas em idade activa, mas deverá atingir o pico desta população em menos de dez anos. Até 2049, cerca de 14% dos habitantes terão 65 ou mais anos. Desde 2000, a evolução demográfica contribuiu anualmente com 0,4 pontos percentuais para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) regional e com 1,1 pontos percentuais para o aumento da produtividade do trabalho.

Segundo o Banco Mundial, o envelhecimento demográfico está a ocorrer mais rapidamente e com níveis de rendimento per capita inferiores aos registados noutras economias emergentes e em desenvolvimento. Enquanto estas demoraram, em média, 32 anos a passar de uma sociedade em envelhecimento para uma população envelhecida, o Sul da Ásia deverá realizar essa transição em apenas 25 anos. Entre agora e 2050, o contributo anual da demografia para o crescimento económico deverá cair para 0,1%.

O relatório identifica também fragilidades significativas no mercado de trabalho e nos sistemas de protecção social. Apenas 60% da população em idade activa está empregada e 88% dos trabalhadores exercem actividades informais, caracterizadas por menores rendimentos e reduzida segurança laboral. Na área da protecção social, apenas 17% da população activa contribui para um regime de pensões e somente 10% dos idosos recebem algum benefício previdenciário, uma das taxas de cobertura mais baixas do mundo.

O vice-presidente do Banco Mundial para o Sul da Ásia, Johannes Zutt, defende que os governos devem actuar rapidamente para aproveitar o actual dividendo demográfico, através do investimento na saúde, educação, qualificação profissional e criação de emprego, bem como da remoção dos obstáculos à participação feminina no mercado de trabalho. A instituição recomenda ainda ampliar o acesso ao financiamento das pequenas e médias empresas e desenvolver sistemas de saúde, cuidados de longa duração e pensões, de modo a permitir que uma população mais envelhecida continue a contribuir para a economia.

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