A China está a intensificar a incorporação de inteligência artificial (IA) nas suas forças armadas, numa estratégia que visa reforçar o seu poder militar e competir diretamente com os Estados Unidos na corrida global pela supremacia tecnológica.
Segundo especialistas citados pela Euronews, Pequim tem vindo a integrar IA em áreas como guerra eletrónica, sistemas de comunicação e drones autónomos, numa abordagem descrita como “AI Plus”, que pretende modernizar todos os ramos do Exército de Libertação do Povo.
Entre os desenvolvimentos apontados estão sistemas capazes de interferir com drones a longa distância, simulações avançadas de ondas de rádio para comunicações entre unidades não tripuladas e o uso de tecnologias de IA para coordenação de operações militares em tempo real.
A estratégia chinesa está alinhada com objetivos definidos desde 2017, quando o país estabeleceu a ambição de se tornar líder mundial em inteligência artificial até 2030, incluindo a aplicação da tecnologia no domínio militar.
O presidente Xi Jinping tem reforçado essa visão, defendendo a criação de forças armadas “inteligentizadas”, com integração de IA, robótica e sistemas autónomos no apoio à tomada de decisão.
Apesar dos avanços, especialistas sublinham que a dimensão real da utilização de IA no setor militar chinês permanece pouco clara. A China tem exibido drones autónomos, sistemas navais e até “cães-robô”, mas não há confirmação independente do nível de autonomia destes equipamentos.
Analistas alertam ainda que muitos dos sistemas apresentados não foram testados em combate real, o que levanta dúvidas sobre a sua eficácia operacional. Além disso, a dependência de semicondutores avançados e outras tecnologias ainda limita a capacidade plena de desenvolvimento militar baseado em IA.
Ainda assim, Pequim continua a apostar numa integração profunda da IA em todo o aparelho militar, numa tentativa de acelerar decisões, confundir sistemas adversários e aumentar a capacidade de resposta em cenários de conflito.
