As relações entre China e Japão entraram numa nova fase de tensão depois de Sanae Takaichi, recém-eleita primeira-ministra japonesa, afirmar no Parlamento que o Japão poderá intervir militarmente caso Pequim invada Taiwan — um cenário que, segundo ela, representaria “uma ameaça existencial” para o país.
As palavras de Takaichi desencadearam uma resposta imediata de Pequim, que classificou a declaração como provocatória e enviou navios e drones para áreas próximas das ilhas disputadas no mar da China Oriental.
O consulado chinês em Osaka chegou a publicar uma mensagem considerada ameaçadora antes de a remover, enquanto o governo chinês convocou os embaixadores japonês e chinês e emitiu um alerta de segurança para cidadãos que viajem ao Japão.
A retórica hostil já começou a refletir-se na economia: o aviso de viagem da China provocou quedas nas ações do setor turístico japonês, e analistas estimam que os prejuízos possam atingir mais de 2 biliões de ienes.
A controvérsia reacende tensões históricas num contexto sensível. Taiwan, colonizada por Tóquio até 1945, é considerada por Pequim uma província a reunificar, enquanto a maioria da população taiwanesa rejeita essa ideia. Qualquer incidente nas proximidades das ilhas Senkaku — administradas pelo Japão e reivindicadas pela China — aumenta o risco de escalada.
Apesar da pressão, Takaichi reiterou a sua posição. Uma delegação japonesa deve deslocar-se a Pequim nos próximos dias para tentar reduzir a tensão, num momento crítico para a estabilidade no Indo-Pacífico.
