A China está a aumentar significativamente as suas reservas de ouro, numa estratégia associada à diversificação dos ativos financeiros e à redução da dependência do dólar norte-americano. O banco central chinês acumulou 23 meses consecutivos de compras, tendo adquirido cerca de 23 toneladas apenas em setembro.
Nos primeiros oito meses de 2026, as importações chinesas ultrapassaram mil toneladas, num valor superior a 158 mil milhões de dólares. Segundo analistas, Pequim procura proteger as suas reservas de possíveis riscos financeiros e geopolíticos, reduzindo a exposição à dívida pública dos Estados Unidos.
Entre as famílias chinesas, a procura de ouro também aumentou devido à crise imobiliária, à instabilidade dos mercados financeiros e à baixa rentabilidade dos depósitos bancários. Barras, moedas e joias são vistas como alternativas para preservar poupanças.
Apesar da forte procura, o preço internacional do ouro registou uma queda superior a 8% em setembro. Ainda assim, especialistas consideram que as compras chinesas continuam a sustentar o mercado, embora a evolução das taxas de juro e da economia possa influenciar a procura futura.
