O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional concluiu a Consulta do Artigo IV de 2026 relativa à Região Administrativa Especial de Hong Kong , destacando a recuperação económica do território, impulsionada pelo dinamismo das exportações tecnológicas, pela melhoria da procura interna e pela retomada da atividade nos mercados financeiros. Apesar do desempenho acima do esperado em 2025, o FMI considera que a recuperação permanece incompleta e sujeita a desafios internos e externos.
Segundo a avaliação, Hong Kong consolidou o seu papel como centro financeiro internacional e como plataforma de ligação entre a China continental e os mercados globais. Ainda assim, a actividade económica continua abaixo da tendência registada antes da pandemia, com persistência de fragilidades como o investimento privado reduzido e a diminuição da participação da força de trabalho. O sistema bancário mantém-se sólido, apoiado por elevados níveis de capitalização, liquidez e rentabilidade, embora subsistam riscos associados ao setor imobiliário comercial.
O FMI prevê uma moderação do crescimento econômico no curto prazo, influenciada pelo abandono da procura externa e pelo suporte às condições financeiras internacionais num contexto de elevação de incerteza global. A instituição identifica ainda pressão estrutural ligada ao envelhecimento populacional e à menor participação dos jovens no mercado de trabalho, fatores que devem limitar o crescimento potencial para cerca de 2,25% no prazo médio.
Para responder a estes desafios, as autoridades de Hong Kong estão a apostar em novos motores de crescimento, incluindo investimentos estratégicos na Região Metropolitana do Norte e iniciativas de inovação tecnológica. O FMI garante igualmente oportunidades associadas ao aumento da produtividade através da inteligência artificial, ao reforço da integração económica com a China continental e ao desenvolvimento de sectores como finanças digitais, sustentabilidade e tecnologias financeiras.
No relatório, o Fundo recomenda manter a prudência na supervisão financeira, reforçar a sustentabilidade das contas públicas e avançar com reformas estruturais destinadas a aumentar a base fiscal, aumentar a participação no mercado de trabalho e melhorar o acesso à habitação pública. O organismo sublinha ainda que, num contexto internacional cada vez mais fragmentado, Hong Kong continua a desempenhar um papel estratégico como o de ligação entre a China e os mercados internacionais, posição que poderá ser reforçada através de maior integração regional e diversificação económica.
