A Índia está a afirmar-se como uma das principais potências mundiais no sector das energias renováveis, graças à rápida expansão da sua capacidade de produção de electricidade limpa e ao crescimento da indústria nacional de equipamentos solares. A conclusão consta do Relatório do Mercado de Energias Renováveis da Índia 2026, divulgado a 3 de Novembro pela Agência Internacional de Energia (AIE), durante a Cimeira de Energia Renovável da Índia, em Nova Deli.
De acordo com o documento, a capacidade de produção de energia renovável do país quase quadruplicou na última década, ultrapassando os 300 gigawatts (GW) em 2026. A Índia é actualmente o segundo mercado de energias renováveis com maior crescimento no mundo e o segundo maior fabricante de módulos solares fotovoltaicos. Em 2025, o país alcançou igualmente a meta de 50% de capacidade instalada proveniente de fontes não fósseis, cinco anos antes do prazo inicialmente previsto.
A expansão das energias renováveis está também a contribuir para reduzir a dependência energética externa. Entre 2011 e 2025, a produção de electricidade a partir destas fontes permitiu à Índia poupar mais de 100 mil milhões de dólares em importações de carvão e gás natural. Segundo a AIE, sem a capacidade solar fotovoltaica, eólica e de bioenergia instalada desde 2010, as importações de carvão teriam sido cerca de 110 milhões de toneladas superiores em 2025. Até 2030, a poupança acumulada deverá mais do que duplicar.
O relatório prevê que a capacidade de produção de energia renovável da Índia alcance aproximadamente 530 GW até 2030, com a energia solar fotovoltaica a representar mais de 80% das novas instalações. O director-executivo da AIE, Fatih Birol, destacou que a experiência indiana demonstra como políticas consistentes podem reduzir os custos das tecnologias renováveis, atrair investimento e reforçar a segurança energética. Por sua vez, o ministro indiano das Energias Novas e Renováveis, Pralhad Joshi, apontou o fortalecimento da indústria nacional, a mobilização de investimentos e a expansão das redes de transmissão como prioridades para a próxima fase de crescimento.
Apesar dos progressos, a AIE alerta que a continuidade desta expansão dependerá de investimentos mais rápidos nas redes eléctricas, em sistemas de armazenamento e em mecanismos que garantam maior flexibilidade no fornecimento de energia. O reforço da situação financeira das empresas distribuidoras e a redução dos atrasos na execução dos projectos são igualmente considerados essenciais. Segundo o relatório, a resolução destes obstáculos poderá permitir acelerar em mais de 20% a instalação de nova capacidade renovável entre 2026 e 2030.
